segunda-feira, 4 de junho de 2007

Amor

Inebriado em pestilento odor,
Pútrido de teu hálito,
Que exalas sobre meu rosto,
Esgotado de viver.

Olho em teus olhos,
Agarro teus braços,
Grito a teus ouvidos,
Para que me possas escutar,
O quanto te odeio
E me dá prazer te magoar.

Tu,… em movimento feroz,
Atiras-me contra o chão,
Gritas meu nome,
Com mais ódio do que amor.

Após breve hesitação,
Não és capaz de te conter,
Lanças-te sobre meu corpo,
Atingindo minha face com tuas mãos,
Das quais não sou capaz de me proteger.

Meu sangue espalhado sobre o chão,
Sobre o qual me sinto desfalecer,
Meu sofrimento é para ti uma alegria,
Em tua alma não existe mais melancolia.

Meu rosto encontra-se lívido de tanto sangue que perdi,
Esta é tua imolação,
Sou capaz de saborear o prazer,
Que sentes ao me ver morrer.


Decarte Madente