quarta-feira, 30 de maio de 2007

Corpo Abandonado

Corpo prostrado em quarto sombrio,
É carcaça inerte abandonada ao tempo,
Emaciado e putrefacto,
Exala perfume bafiento.

In Extremis,
Seu corpo foi inebriado,
Acariciado pelo doce toque da morte,
Deixando-o lânguido,
Sem forças para viver.

“Vade in Pace!”,
Sua alma escuta,
Mas sem olhar para trás,
Segue seu caminho,
Segue para o fogo dos infernos,
Seu final destino.

Decarte Madente

Sofrimento de Artemisa

Lágrima que descende em rosto lívido,
Descarnado e melancólico,
É expressivo das trevas,
Em que sua alma foi abandonada.

Artemisa não sorri,
Seus olhos negros
Choram lágrimas de sangue,
Fruto da sua raiva interior.

Seu sangue fervilha,
Sua face se contorce,
Exasperada com a vida,
Da qual anseia por se libertar.

Sua existência é excruciante,
Apenas aguarda por sua extinção,
Não é mais possível sustentar,
Esta enorme aflição.

Artemisa exala seu ultimo suspiro,
Seu corpo se desprende da vida,
Que outrora fora tormento.
Apenas fica a memória,
De pessoa inadaptada,
Perturbada por existir.

Decarte Madente


Este poema é inspirado num trabalho de Sara Santos Silva a.k.a. Alice in Goreland (http://www.myspace.com/likas)
desde já um muito obrigado a ela, pois o seu trabalho deu novo alento à minha criação que adquiriu com ele novos contornos que espero continuar a explorar.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Novos Mundos, Novos Eu's

Exploro novas maneiras de estar,
Em viagem de reconhecimento interior.
É vontade de mudar um futuro,
Que não desejo influenciado pelo passado

Sou eu, mas um pouco diferente,
Estou mudado, mas mantenho-me igual.

Velhos hábitos se vão perdendo,
Enquanto novos hábitos vão sendo adoptados.
Novo rumo vai sendo traçado,
Para esta nova fase de vida pensado.

Denoto já a acção,
Desta minha opção,
Sinto-me mais perto do equilíbrio,
Mais compreensivo,
Com o que se passa no meu interior.

Decarte Madente

Tentações Carnais

Corrompida alma,
Por um leque sem fim de desejos carnais.
O corpo é possuído por vontades animais,
Por vezes tão difíceis de controlar.

Alma eterna… essa não deseja,
É corpo efémero… fonte de tais ambições.
Tortura crónica se abate sobre o corpo,
Bombardeado por tentações carnais.

Estas perturbam o espírito,
Em incessante busca
Por um eterno equilíbrio,
No qual a alma possa,
Finalmente repousar.

Decarte Madente

Poesia

Em cada novo verso redigido,
A cada nova palavra formada,
Transbordam em si sentimentos,
Fragmentos de uma vida,
Que se assimilam a estes versos,
Que lentamente vou deixando para trás.

Não escrevo porque é bonito,
Não escrevo porque me foi imposto,
Escrevo sim porque é aquilo que sinto.

Minha mão treinada transcreve,
A mescla de emoções vividas,
Desenha como verdadeiro artista,
Em simples folha de papel…

Não obedeço a regras,
Não procuro agradar ninguém,
Crio apenas pelo prazer pessoal.


Decarte Madente